sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

A Casa do Pensamento






"O homem pode ser considerado o pensamento que exterioriza, fomenta e nutre. Conforme a sua paisagem mental, a existência física será plasmada, face ao vigor da energia direcionada. O pensamento é a manifestação do anseio espiritual do ser, não uma elaboração cerebral do corpo. Sendo o Espírito o agente da vida, nos intrincados painéis da sua mente se originam as idéias, que se manifestam através dos impulsos cerebrais, cujos sensores captam a onda pensante e a transformam, dando-lhe a expressão e forma que revestem o conteúdo de que se faz portadora." 

Joanna de Angelis

 

Frank Weston, EUA, 1951

Os pensamentos que cultivamos, que ocupam espaço em nossa casa mental estão sempre a determinar nosso forma de interagir no mundo. Os pensamentos criam realidades e concretizam-se, criam relações e podem nos trazer saúde, alegria ou grandes  malefícios, conforme a qualidade das ondas mentais que emitimos.

As pessoas otimistas, que enfrentam seus problemas na dimensão exata e na hora que eles se apresentam, sem cultivar preocupações indevidas e sem arrastarem os infortúnios transatos por onde andam, são mais leves e tranquilas. A vibração psíquica que emitem é agradável e elas irradiam bem estar. Nós gostamos de ficar perto dessas pessoas. Elas transmitem paz e suas conversas são prazerosas, motivadoras.

Almeida Júnior, Leitura- Pinacoteca de São Paulo



Ao contrário, aqueles que cultivam um padrão psíquico desordenado, rancoroso, orgulhoso, ciumento, invejoso ou outras tantas pragas morais pesam à economia  vibratória dos ambientes   por onde circulam, fazem mal, mesmo sem dizer palavra alguma, pois a carga mental pestilenta que fomentam tem o poder de espraiar-se e infectar, gerando mal estar em quem não consegue se imunizar contra tais dardos psíquicos. É fácil de perceber isso. A pessoa é  o que pensa e mesmo que seus lábios expressem cortesia, elas emitem vibrações conforme seu teor mental. Basta ficar atento para perceber.

Victor Brecheret, Musa Impassível, 1922 - Pinacoteca do São Paulo
Mas a casa mental desalinhada, cheia de sentimentos inquietantes, prejudica especialmente a quem os cultiva. Aquilo que se fomenta no mundo íntimo se irradia e promove desordens físicas, doenças que nada mais são do que as consequências das emoções  repetidamente cultivadas. Os sentimentos, por exemplo,  de rancor de baixa inferioridade, de raiva, de inveja e também as viciações de ordem moral, acaso não forem diluídos e enfrentados por seus portadores reverberarão em forma de males no corpo físico, este que funciona como uma espécie de exaustor, recebendo as cargas deletérias do espírito em conflito.


Diante da emocionante pintura de Almeida Júnior denominada "Saudade".Pinacoteca de São Paulo



É lógico que vivendo circunstanciados pelas injunções do corpo, ainda não nos é possível estar o tempo todo em perfeita harmonia, em vibração tranquila. É natural vivenciarmos emoções de tristeza, de medo e até certo ponto sentirmos  raiva. O problema está no cultivar, no remoer, no permitir que tais emoções desequilibradas perdurem em nossa casa mental. É preciso saber compensar tais emoções, primeiramente reconhecendo-as, identificando-as. Isso porque há pessoas que nem dão contam de quanto são incômodas ao convívio, pois estão sempre achando que o mundo está contra elas. A culpa de seus infortúnios está sempre focada no outro ou em algum evento externo.


Então, é importante se auto olhar, sem máscaras e com humildade reconhecer que se está sofrendo porque na raiz, por exemplo, da dor existencial pode estar a praga do orgulho ou mesmo do egoísmo. Para diluir as emoções e consequentemente os pensamentos desarticulados da paz é preciso ter essa coragem. Olha, veja só, eu estou reagindo assim porque sinto ciúmes, ou porque tenho medo. Esse é um grande passo à maturidade de viver.

Reconhecendo minhas pernas tortas emocionais, poderei tratá-las e começar a cultivar no jardim de minha casa mental flores ao invés de larvas psíquicas. A mágoa, tratar de esquecer; o medo tratar de superar; a inveja, tratar de enfrentar com o esforço próprio, com o auto amor; o orgulho tratar de sanear com a humildade; o egoísmo, tratar de vencer com a compaixão e com o desapego. 

Se os pensamentos equivocados e maléficos possuem esta força desarmonizadora, desagregadora e adoecedora, imagine o que não podem fazer os pensamentos voltados para o bem, para a paz? Imagine quanta beleza é possível mobilizar e criar cultivando pensamentos iluminados, banhados na água pura do Bem? Nós podemos ser e devemos ser, para nosso próprio bem, aquele que inicia a atitude de paz, faxinando continuamente as imagens e emoções deletérias que mofam e criam teias na  tela mental.



Berthe Worms, Canção Sentimental,1904



Há atitudes práticas que podem ser tomadas e que nada custam, apenas a força  de vontade de ser feliz. Ao acordar, por exemplo, antes das tarefas rotineiras, procurar orar, entrar em conexão com os Benfeitores Espirituais por meio da prece. Não uma prece decorada, mas algo que venha da alma que deseja se filiar ao Pai. Ler uma página do Evangelho ou de livros como o Fonte Viva, escrito por Emmanuel por intermédio de Chico Xavier. Uma página assim iluminada pode conter o recado necessário ao enfrentamento das lutas do dia que se   inicia. Antes de dormir também buscar agradecer  o dia e por meio de uma prece rogar o amparo do Alto para as horas do sono físico.

Procurar manter ao longo do dia conversas saudáveis, exercitar-se, dedicar-se ao trabalho nas horas determinadas, ouvir músicas salutares, ler livros esclarecedores, andar na praia, alimentar-se com equilíbrio. E orar, sempre, sempre que preciso.

Mas principalmente se amar e determinar-se em ser feliz, sem arrastar um fardo de pensamentos nefastos, sem insistir em ser aquela criatura desajustada, sempre a incomodar e a precisar do socorro alheio. Determinar-se a ser mais leve, mais laborioso, mais construtivo, menos severo consigo mesmo e com os erros dos outros. Ser mais suave, mais corajoso, mais pleno. É possível!


Abaixo, deixo para vocês, queridos leitores, um estudo sobre o Pensamento da lavra da Benfeitora Joanna de Angelis, por meio da mediunidade de Divaldo Franco.


Um abraço
Nane



 Doenças Psicossomáticas 

Joanna de Angelis


O ser humano é um conjunto harmônico de energias, constituído de Espírito e matéria, mente e perispírito, emoção e corpo físico, que interagem em fluxo contínuo uns sobre os outros. Qualquer ocorrência em um deles reflete no seu correspondente, gerando, quando for uma ação perturbadora, distúrbios, que se transformam em doenças, e que, para serem retificadas, exigem renovação e reequilíbrio do fulcro onde se originaram. Desse modo, são muitos os efeitos perniciosos no corpo causados pelos pensamentos em desalinho, pelas emoções desgovernadas, pela mente pessimista e inquieta na aparelhagem celular.

Determinadas emoções fortes - medo, cólera, agressividade, ciúme - provocam uma alta descarga de adrenalina na corrente sanguínea, graças às grândulas supra-renais. Por sua vez, essa ação emocional reagindo no físico, nele produz aumento da taxa de açúcar, mais forte contração muscular, face à volumosa irrigação do sangue e sua capacidade de coagulação mais rápida.

A repetição do fenômeno provoca várias doenças como a diabetes, a artrite, a hipertensão, etc., assim, cada enfermidade física traz um componente psíquico, emocional ou espiritual correspondente. Em razão da desarmonia entre o Espírito e a matéria, a mente e o perispírito, a emoção (os sentimentos) e o corpo, desajustam-se os núcleos de energia, facultando os processos orgânicos degenerativos provocados por vírus e bactérias, que neles se instalam.

Conscientizar-se desta realidade é despertar para valores ocultos que, não interpretados, continuam produzindo desequilíbrios e somatizando doenças, como mecanismos degenerativos na organização somática.

Por outro lado, os impulsos primitivos do corpo, não disciplinados, provocam estados ansiosos ou depressivos, sensação de inutilidade, receios ou inquietações que se expressam ciclicamente, e que a longo prazo se transformam em neuroses, psicoses, perturbações mentais. A harmonia entre Espírito e a matéria deve viger a favor do equilíbrio do ser, que desperta para as atribuições e finalidades elevadas da vida, dando rumo correto e edificante à sua reencarnação.

As enfermidades, sobre outro aspecto, podem ser consideradas como processos de purificação, especialmente aquelas de grande porte, as que se alongam quase que indefinidamente, tornando-se mecanismos de sublimação das energias grosseiras que constituem o ser nas suas fases iniciais da evolução.

É imprescindível um constante renascer do indivíduo, pelo renovar da sua consciência, aprofundando-se no autodescobrimento, a fim de mais seguramente identificar-se com a realidade e absorvê-la. Esse autodescobrimento faculta uma tranqüila avaliação do que ele é, e de como está, oferecendo os meios para torná-lo melhor, alcançando assim o destino que o aguarda.

De imediato, apresenta-se a necessidade de levar em conta a escala de valores existenciais, a fim de discernir quais aqueles que merecem primazia e os que são secundários, de modo a aplicar o tempo com sabedoria e conseguir resultados favoráveis na construção do futuro.

Essa seleção de objetivos dilui a ilusão - miragem perturbadora elaborada pelo ego - e estimula o emergir do Si, que rompe as camadas do inconsciente (ignorância da sua existência) para assumir o comando das suas aspirações.

Podemos dizer que o ser, a partir desse momento, passa a criar-se a si mesmo de forma lúcida, desde que, por automatismo, ele o faz através de mecanismos atávicos da Lei de evolução.

A ação do pensamento sobre o corpo é poderosa, ademais considerando-se que este último é o resultado daquele, através das tecelagens intrincadas e delicadas do perispírito (seu modelador biológico), que o elabora mediante a ação do ser espiritual, na reencarnação. Assim sendo, as forças vivas da mente estão sempre construindo, recompondo, perturbando ou bombardeando os campos organo-genéticos responsáveis pela geratriz dos caracteres físicos e psicológicos, bem como sobre os núcleos celulares de onde procedem os órgãos e a preservação das formas.

Quanto mais consciente o ser, mais saudáveis os seus equipamentos para o desempenho das relevantes tarefas que lhe estão reservadas. Há exceções, no entanto, que decorrem de livre opção pessoal, com finalidades específicas nas paisagens da sua evolução.

O pensamento salutar e edificante flui pela corrente sanguínea como tônus revigorante das células, passando por todas elas e mantendo-se em harmonia no ritmo das finalidades que lhes dizem respeito. O oposto também ocorre, realizando o mesmo percurso, perturbando o equilíbrio e a sua destinação.

Quando a mente elabora conflitos, ressentimentos, ódios que se prolongam, os dardos reagentes, disparados desatrelam as células dos seus automatismos, degeneram, dando origem a tumores de vários tipos, especialmente cancerígenos, em razão da carga mortífera de energia que as agride.

Outras vezes, os anseios insatisfeitos dos sentimentos convergem como força destruidoras para chamar a atenção nas pessoas que preferem inspirar compaixão, esfacelando a organização celular e a respectiva mitose, facultando o surgimento de focos infecciosos resistentes a toda terapêutica, por permanecer o centro desencadeador do processo vibrando negativamente contra a saúde.

Vinganças disfarçadas voltam-se contra o organismo físico e mental daquele que as acalenta, produzindo úlceras cruéis e distonias emocionais perniciosas, que empurram o ser para estados desoladores, nos quais se refugia inconscientemente satisfeito, embora os protestos externos de perseguir sem êxito o bem-estar, o equilíbrio.

O intercâmbio de correntes vibratórias (mente-corpo, perispírito-emoções, pensamentos-matéria) é ininterrupto, atendendo aos imperativos da vontade, que os direciona conforme seus conflitos ou aspirações.

Idéias não digeridas ressurgem em processos enfermiços como mecanismos auto-purificadores; angústias cultivadas ressumam como distonias nervosas, enxaquecas, desfalecimentos, camuflando a necessidade de valorização e fuga do interesse do perdão; dispepsias, indigestões, hepatites originam-se no aconchego do ódio, da inveja, da competição malsã - geradora da ansiedade - do medo, por efeito dos mórbidos conteúdos que agridem o sistema digestivo, alterando-lhe o funcionamento.

O desamor pessoal, os complexos de inferioridade, as mágoas sustentadas pela autopiedade, as contrariedades que resultam dos temperamentos fortes de constantes atritos com o organismo, resultando em cânceres de mamas(feminino), da próstata, taquicardia, disfunções coronarianas, cardíacas, enfartos brutais, etc.

Impetuosidade, violência, queixas sistemáticas, desejos insaciáveis respondem por derrames cerebrais, estados neuróticos, psicoses de perseguição, etc..

O homem é o que acalenta no íntimo. Sua vida mental expressa-se na organização emocional e física, dando surgimento aos estados de equilíbrio como de desarmonia pelos quais se movimenta.

A conscientização da responsabilidade imprime-lhe destino feliz, pelo fato de poder compreender a transitoriedade do percurso carnal, com os olhos fitos na imortabilidade de onde procede, em que se encontra e para a qual ruma. Ninguém jamais sai da vida.

Adequando-se à saúde e à harmonia, o pensamento, a mente, o corpo, o perispírito, a matéria e as emoções receberão as cargas vibratórias benfazejas, favorecendo-se com a disposição para os empreendimentos idealistas, libertários e grandiosos, que podem ser conseguidos na Terra graças às dádivas da reencarnação.

Assim, portanto, cada um é o que lhe apraz e pelo que se esforça, não sendo facultado a ninguém o direito de queixas, face ao princípio de que todos os indivíduos dispõem dos mesmos recursos, das mesmas oportunidades, que empregam, segundo seu livre-arbítrio, naquilo que realmente lhes interessa e de onde retiram os proventos para sua própria sustentação.

Jesus referiu-se ao fato, sintetizando, magistralmente, a Sua receita de felicidade, no seguinte pensamento: - A cada um será dado segundo as suas obras. Assim, portanto, como se semeia, da mesma forma se colherá.

Por Joanna de Ângelis e Divaldo Franco;Livro Autodescobrimento (Ed. LEAL)

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